segunda-feira, 18 de junho de 2012

SE ME CONHECESSES


Se no teu rosto
meu gosto, meu gosto

passasse.

Se na tua boca

eu louca, tão louca

ficasse.

Tu não terias coragem

de deixar a minha imagem

miragem no mundo fugir.

Pois sou filha única

da lua com o sol,

do espinho e rouxinol,

do destino e do acaso.

Eu sou o atraso e o cedo,

o fim e o começo

de quem um dia me viu.

Mas como eu louca

na tua boca nunca fui,

apenas seda e rosa

onde tu buscavas luz...

Tu não saberás o segredo

do medo, tão medo

de me perder, me esquecer,

me prender...

Será mais leve a tua vida

sem minha ida,

minha partida,

minha estranheza.


IRENE MADEIRO

domingo, 17 de junho de 2012

LUA CHEIA

Tua alma,

tua calma

me transtorna o pensamento.



Eu tão lua,

eu tão louca,

eu tão loba aqui por dentro.

 

IRENE MADEIRO

sábado, 16 de junho de 2012

CASCATA


Vem descendo a serra

   por entre curvas e rochas,

     um fiapo fino de água,

       o rio, riacho

          de água doce

            e transparente.

              Vem doce e fria,

                 vem refrescante e pura,

                    pingando, chiando

                       barulho de água...

                          Rápido engrossa,

                            se empossa,

                               vem depressa,

                                   vem voando,

                                      despencando

                                          transformando

                                             o simples

                                                e calmo

                                                     em vário

                                                          e louco,

                                                               em pouco

                                                                    virando

                                                                        lagos e mar,

                                                                            salgado

                                                                               e forte

                                                                                     e sério.

IRENE MADEIRO

sábado, 9 de junho de 2012

O CHEIRO E O GOSTO

Vivo procurando a ata(fruta) ideal, aquela que tem o cheiro e o gosto da minha infância na fazenda do meu avô. Às vezes, acho que encontrei, ela tem o mesmo cheiro, mas o gosto não é igual e depois o cheiro também não é igual...
Quando eu tinha dois anos e morava na fazenda, lá também moravam alguns tios, então meus irmãos e primos subiam nos pés de ata, mas eu era muito pequena e só podia olhar. É uma lembrança muito clara, assim como todos tomando banho no açude, os maiores brincando de bandeirinha à luz da lua cheia, meu avô contando estórias no alpendre e todo mundo deitado ao redor para escutar ou correndo atrás de nós para nos dar "papinha". Quando ele morreu eu tinha 4 anos, e não houve mais fazenda...
Às vezes, penso que não existe essa ata ideal, que o que eu lembro é o gosto doce da minha infância...
Mas nunca vou desisir.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

UM CAMINHO

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado
(Mário Quintana)

Meu Deus, como eu compreendi esse poema agora!!!!
Eu estava me afogando num mar de angústia e dúvidas e o CÂNTICO NEGRO (José Régio) me salvou.
Apesar de Nietzsche já ter me dito que cada um tem o seu caminho, que não existe o caminho certo, foi o poema que me resgatou, e me fez respirar de novo.

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando dizem : “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,!
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades
Não acompanhar ninguém.
- Que vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um
vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí !


domingo, 21 de agosto de 2011

OLHOS DE VER

Quem presta atenção na vida e não acha que sabe o "suficiente" , ou muito, aprende com tudo ao redor. A coisa mais boba pode trazer uma lição de vida: uma música, um filme, a novela( sim, tudo tem uma utilidade). Mas é preciso, como dizia Jesus, "olhos de ver"; e saber como o filósofo "que nada sabe", pois o mais sábio é aquele que sabe que quanto mais se aprende mais se tem a aprender.

sábado, 20 de agosto de 2011

LIÇÕES EM FILME

Assisti a um filme hoje (Como Você Sabe) do qual tirei duas lições:
numa, a personagem vai a um psicólogo e pergunta se há algum conselho generico, isto é, que ele possa dizer a todo mundo, e o psicólogo diz:"DESCUBRA O QUE VOCÊ QUER E APRENDA A PEDIR."
A outra é quando o namorado de uma personagem diz a ela que tem medo que ela encontre alguém que queira mudar os "defeitos" dela, que faça com que ela não se ame do jeito que ela é.
Assim, se compreende que o amor É, ESTÁ. Não precisamos ser bonitos ou inteligentes ou legais, etc, etc. Não se ama a alguém por nada disso, se ama e ponto. A partir do amor, você acha a pessoa bonita, legal, e até os defeitos viram qualidades, ou não importam, porque fazem parte da pessoa e ela é do jeito que é, com qualidades e defeitos.
Acho importante que não tentemos mudar a quem pretensamente amamos, nem deixemos que os outros tentem nos mudar. Quem te ama, te ama de cabelos pretos e encaracolados, pois por aí está cheio de loiras lisas. Quem te ama, te ama gorda, por aí está cheio de magras, te ama baixinha, te ama desajeitada, avoada, desligada, bagunceira... se não, por aí está cheio de gente querendo agradar... e com as  "qualidades" requeridas. E nós merecemos mais, do que tentar ser algo para alguém, que nem sequer nos valoriza.